Antropólogo da ciência e tecnologia. Fez mestrado no Museu Nacional e doutorado em Manchester. Pesquisou comunidades otaku e, depois, inteligência artificial. Hoje ocupa uma posição pedagógica e administrativa em uma universidade.
Eu tinha, desde o ensino médio, um interesse muito forte nas ciências humanas (história, sociologia, filosofia, geografia). Eu quase escolhi cursar História, porém o que acabou me levando às Ciências Sociais em particular foi o aspecto mais interdisciplinar do curso.
A decisão do mestrado foi relativamente fácil: a minha orientadora de graduação se formou no Museu Nacional, e me deu suporte muito enfático para que eu prestasse o processo seletivo do Museu. O programa de doutorado foi por uma série de motivos, mas o principal foi a excelência de Manchester na antropologia da ciência e tecnologia com um foco maior nas ciências exatas e engenharias.
Foi descobrir que eu precisava (re)aprender a escrever! Eu achava que era bom em redação, mas a qualidade da escrita necessária nas Ciências Sociais é muito além daquela exigida no ensino médio e vestibular.
Na pesquisa qualitativa, sem dúvida é a coleta de dados, seja trabalho de campo ou entrevista.
Na pesquisa quantitativa, sem dúvida é a análise de dados, quando você finalmente cruza dados e estabelece correlações.
Em ambos os casos, são as etapas em que, na minha opinião, mais se aprende!
Foi uma evolução natural da minha trajetória acadêmica. No terceiro semestre da graduação, a minha professora de antropologia sugeriu que eu estudasse otakus devido ao fato de eu fazer parte da comunidade, e o resto da minha graduação foi consequência disso.
Por sua vez, foi uma evolução natural da minha graduação! Eu era especializado no tema “otakus”, e fez todo sentido continuar estudando o mesmo tema. A principal diferença foi minha decisão, discutida com meu orientador à época, em estudar redes sociais, algo relativamente novo em 2013!
Ao final do mestrado eu estava um pouco exausto com o tema, e queria algo novo. O fato do meu tema anterior não ser particularmente valorizado à época também contou bastante: eu percebi que fazia sentido para a minha carreira que eu pesquisasse um tema de interesse mais geral, daí minha escolha por estudar inteligência artificial (algo que em 2014 e 2015 não estava tão em voga quanto hoje, mas que as pessoas pelo menos conheciam).
Cultivem sua curiosidade! Não tem nenhuma qualidade mais importante em um cientista social do que uma personalidade inquisitiva.
Completamente. Como dito acima, minha visão de mundo como cientista social me torna uma pessoa muito inquisitiva: coisas que outras pessoas acham natural, correto, normal acabam despertando na minha mente as perguntas “mas por que as coisas são assim? elas sempre foram assim? elas precisam ser assim?”
Principalmente via redes sociais. Eu era bastante ativo no Twitter à época do mestrado e doutorado. Mas essencial para a circulação do meu trabalho foi a minha obsessão por fazer com que tudo que eu escrevesse fosse acessível digitalmente e gratuitamente.
Hoje não trabalho mais com escrita e publicação (tenho uma posição mais pedagógica e administrativa em uma universidade), então não é mais uma questão.