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Maternidade e sociedade

O que as Ciências Sociais têm a dizer sobre maternidade?

Ser mãe nunca foi apenas uma experiência biológica — é também um papel social construído historicamente, atravessado por expectativas de gênero, desigualdades de classe e raça, e disputas sobre o que significa cuidar. Pesquisadoras das Ciências Sociais investigam como a maternidade é vivida, representada e cobrada de formas muito diferentes dependendo de quem é essa mãe e em que contexto ela vive.


Parto humanizado, natureza e o "hormônio do amor"

Jane Russo e Marina Nucci, no artigo Parindo no paraíso: parto humanizado, ocitocina e a produção corporal de uma nova maternidade, analisam como uma certa positivação da maternidade se constrói por meio de uma ideia específica de natureza corporal. A partir de trechos de blogs, mostram como esse discurso combina argumentos científicos — como o papel da ocitocina, chamada de "hormônio do amor" — com uma ideia de saber feminino "sagrado" e inato. Ciência e espiritualidade se misturam na construção de um ideal de parto e maternidade.


Maternidades violadas: direitos reprodutivos e desigualdade

A Rede Transnacional de pesquisas sobre Maternidades destituídas, violadas e violentadas (REMA) congrega pesquisadoras dedicadas ao estudo das violências e violações cometidas contra mulheres em diversas experiências de maternidade. O foco está nos direitos sexuais e reprodutivos, com atenção especial para as desigualdades de classe, raça, cultura e religião — reconhecendo que a maternidade não é vivida da mesma forma por todas as mulheres.


Família, política e academia: maternidade em transformação

Lucila Scavone, no artigo Maternidade: transformações na família e nas relações de gênero, questiona o papel da maternidade na vida da mulher na sociedade contemporânea. Ela identifica um movimento em direção a mais equidade na responsabilidade parental — mas aponta que essa equidade ainda está longe de ser alcançada.

Daniela Peixoto Ramos, em A família e a maternidade como referências para pensar a política, mostra como a maternidade aparece como característica definidora da feminilidade no discurso sobre a participação das mulheres na política, reforçada por estereótipos de gênero e valores morais.

Já Silvana Bitencourt, no livro Maternidade e carreira: reflexões de acadêmicas na fase do doutorado, analisa o discurso de doutorandas que são também mães, refletindo sobre o que mudou — e o que ainda precisa mudar — nas instituições de pesquisa para que essas mulheres sejam valorizadas como produtoras de conhecimento.

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