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Menstruação como fenômeno social

O que as Ciências Sociais têm a ver com menstruação?

A menstruação é um processo biológico vivido por uma parcela significativa da população — mas a forma como ela é tratada, nomeada, silenciada ou medicalizada é inteiramente social. Nas Ciências Sociais, pesquisadores e pesquisadoras investigam como normas de gênero moldam a experiência de menstruar: o que se fala, o que se esconde, como isso aparece no trabalho científico, nas tecnologias digitais, na escola, nas ruas.


Menstruação dentro do laboratório científico

Daniela Manica conduziu uma pesquisa etnográfica em um laboratório onde Regina Coeli Goldenberg e Karina Asensi pesquisavam o uso de células do sangue menstrual como células-tronco. No artigo CeSaM, as células do sangue menstrual: Gênero, tecnociência e terapia celular, as autoras mostram como essas células eram vistas de forma generificada dentro do próprio ambiente científico — com certo desprezo pela pesquisa e até comentários jocosos e misóginos por parte de outros pesquisadores. O que parecia ser uma questão técnica revelava, na prática, como o gênero atravessa até mesmo a produção do conhecimento científico.


O corpo de quem pesquisa também importa

Na tese de doutorado Manchando: (o que) fazer (com) a menstruação. Estratégias, experimentos para vazar questões feministas através das tecnociências, Clarissa Reche parte de uma pergunta incomum: o que acontece quando a pesquisadora menstrua durante o trabalho de campo? A partir daí, ela navega pelos silêncios e pelos não-ditos em torno da menstruação para refletir sobre como a presença do corpo de quem pesquisa interfere — e muitas vezes é apagada — na produção do conhecimento antropológico.


Apps de menstruação: autoconhecimento ou vigilância?

Nicole Baumgarten, no artigo Menstruapps: da datificação de sujeitos menstruantes à biopolítica de si, analisa os aplicativos de rastreamento menstrual e seu papel como mediadores entre o usuário e o próprio corpo. A pesquisa investiga como esses apps articulam "conhecimentos científicos" sobre o ciclo, mas também como coletam dados extremamente sensíveis sob a justificativa de um fim médico. Usando o conceito de biopoder de Foucault, Baumgarten mostra que esses aplicativos são empresas com interesses próprios que contribuem para estratégias de controle dos corpos pelo mercado — e que tendem a tratar como questão individual o que é, na prática, um tema coletivo e político.

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