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Saúde

...psicodélicos

Entre o ritual, o laboratório e a pista de dança

Por que estudar psicodélicos nas Ciências Sociais?

A mesma substância pode ser sacramento, crime ou medicamento, dependendo de quem usa, onde e sob qual autorização. Essa fronteira móvel é o que interessa às Ciências Sociais. Ela mostra como categorias que parecem apenas técnicas, como droga, remédio e tratamento, são também decisões sociais, políticas e históricas.


Quem decide o que é remédio e o que é droga?

Hellen Caetano mostra, em sua dissertação sobre cannabis no Brasil, que essa fronteira não é decidida em um único lugar. Ela é tensionada por uma rede que envolve a Anvisa, o Conselho Federal de Medicina, pesquisadores, a indústria farmacêutica, associações de pacientes e ativistas.

No caso do canabidiol para epilepsia, a lógica tradicional dos saberes se inverteu. Famílias de pacientes desenvolveram técnicas de uso e empurraram a ciência e a regulação atrás delas. A cannabis ocupa ao mesmo tempo o lugar de droga e de medicamento, e é essa instabilidade que produz os fatos científicos e regulatórios sobre a planta no país.


Como uma substância de uso ritual indígena vira medicamento?

Beatriz Labate, Henrique Antunes, Glauber Assis, Bruno Gomes, Maira Smith e Clancy Cavnar mostram que os estudos, os exames de sangue e as provas clínicas se tornam os critérios finais para validar a capacidade de cura, ignorando o saber dos povos que sustentam a prática há séculos.

A pergunta que fazem é direta: será que indígenas precisam de cientistas brancos com máquinas na floresta para provar que suas práticas funcionam? Reconhecer que o saber indígena tem validade nos seus próprios termos desloca quem tem autoridade para dizer o que é ou não remédio.


O que as festas de música eletrônica podem nos ensinar sobre cuidado?

Em sua tese de doutorado, Romário Nelvo acompanhou como são construídas as ações de cuidado ao uso de álcool e outras drogas, sobretudo sintéticas e psicodélicas, em festas e festivais de música eletrônica do gênero psytrance.

Analisando a presença de coletivos e agentes de Redução de Danos nas festas, ele tensiona as formas pelas quais as orientações técnicas são passadas e mostra como os próprios usuários criam suas maneiras de lidar com danos, riscos e com o êxtase sensorial, afetivo e político-moral.

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